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Eu Não Serei o Ovo que Você Quebra
TIPO DE PROJETO
Festival de Arte
DATA
01 de Setembro, 2026 - 28 de Setembro, 2026
LOCAL
Rio de Janeiro
REALIZAÇÃO
Temporary Art Platform e Comadre
María Magdalena Campos-Pons, Laura Lima, Mona Hatoum e Tracey Emin estão entre os muitos artistas que integram a programação carioca do Evidence, festival internacional que ocupa o Rio em setembro com exposição, performances, intervenções urbanas, sessões de cinema e um workshop sobre metodologias forenses aplicadas à violência obstétrica; entrada franca em todas as atividades
Rio de Janeiro, agosto de 2026 — De 1o a 26 de setembro de 2026, o Rio de Janeiro recebe Eu não serei o ovo que você quebra: sobre nascimento, o corpo e as evidências que ele carrega, que integra o Evidence, festival internacional realizado pelo Fisher Center LAB em associação com o Center for Human Rights and the Arts at Bard. O projeto é conduzido pela instituição internacional TAP (Temporary Art Platform), sob a direção artística de Amanda Abi Khalil, em parceria com o Instituto Comadre. Entrada franca em todas as atividades.
O programa se desenrola ao longo de quatro semanas – chamadas de Respiros, numa referência à inspiração profunda em quatro tempos do trabalho de parto – e reúne uma exposição coletiva, intervenções em espaços públicos, intervenções em espaços públicos e mídia exterior por toda a cidade, sessões de cinema, uma residência artística, um workshop sobre metodologias forenses e o lançamento de uma publicação. O Evidence acontece simultaneamente em quatro cidades: Nova York, Rio de Janeiro, Cidade do México e Túnis.
A curadora à frente da edição carioca é Amanda Abi Khalil, curadora independente nascida em Beirute e fundadora da TAP, com formação em sociologia da arte. Para ela, o nascimento é uma experiência que o corpo segue carregando muito depois do parto – um lugar em que as violências do sistema deixam marcas e as relações de poder se manifestam. "Cristine Takuá, parteira Maxakali, nos contou que entre os Yanomami todas as mulheres são parteiras, que caminham até o rio para dar à luz sozinhas; precisamos apenas reaprender a escutar o corpo. Cuidar do momento mais absoluto da criação é cuidar da própria sociedade, enfrentando a violência em torno da gravidez, do parto e do pós-parto, e suas ligações com a violência de Estado e policial, ao mesmo tempo em que se abre espaço para todas as formas de maternar: não binárias, trans, solo por escolha e também as não-mães.", diz Abi Khalil. A proposta curatorial se ancora no conceito de matripotência, cunhado pela socióloga nigeriana e pesquisadora de gênero Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí: a profunda autoridade material e espiritual que emana do ato de trazer a vida ao mundo e sustentá-la.
**Respiro 1**
O festival abre em 1o de setembro na Casa Comadre com Reparto, exposição coletiva com curadoria de Gabriela Davies e Maíra Marques na Casa Comadre, no Humaitá. A mostra reúne artistas de diferentes países e gerações para refletir sobre os processos e escolhas envolvidos na possibilidade de gerar e cuidar da vida, e sobre as muitas formas de entender o nascimento e a maternidade para além da reprodução biológica. Entre os artistas participantes estão Adriana Varejão, Mona Hatoum, Tracey Emin, María Magdalena Campos-Pons, Joana Hadjithomas, Celeida Tostes, Mônica Ventura e Claudia Casarino. A abertura é na terça-feira, das 17h às 21h, e a exposição permanece em cartaz até 28 de novembro.
Na tarde de 2 de setembro, a Cinemateca do MAM recebe, às 16h30, a sessão de Vermelho Bruto (2022), de Amanda Devulsky. A exibição terá a presença da diretora, que participa de um debate ao lado de Mariana Pimentel, especialista em Práticas Estético-Políticas na Arte Contemporânea e no Ativismo no Brasil. O filme narra as histórias de quatro mulheres que se tornaram mães ainda na adolescência, num Brasil que dava seus primeiros passos rumo à democracia. Ao acompanhar essa transformação política em paralelo à passagem abrupta dessas mulheres para a vida adulta e a maternidade, dentro de seus espaços domésticos, a obra se constrói no cruzamento entre arquivos pessoais e imagens contemporâneas.
**Respiro 2**
Em 11 de setembro, das 11h30 às 16h30, o MAM Rio recebe o workshop Corpos e Territórios: mães e mulheres produzindo evidências para a luta por justiça, sobre metodologia forense e a produção comunitária de evidências, voltado à violência obstétrica, à violência de gênero e aos direitos reprodutivos no Brasil — tomando como caso o de Maiara de Oliveira, gestante baleada durante uma operação da Polícia Civil no Complexo da Maré. O encontro conta com dois painéis e a ativação Orquestrar o acaso, da artista carioca Anna Costa e Silva, e reúne Redes da Maré, Mães de Manguinhos, Casa das Mulheres da Maré e a parteira, pesquisadora e ativista Marilanda Lima. "Quero construir uma ponte entre a violência obstétrica e a violência policial", explica Abi Khalil. "A violência do sistema se manifesta desde os hospitais onde as crianças nascem até a brutalidade policial direta."
À noite, a Cinemateca do MAM recebe uma sessão dupla: Why I Never Became a Dancer (1995), de Tracey Emin, seguida de elle a les yeux grands ouverts (1982), de Yann Le Masson, documentário sobre mulheres que lutaram pelo direito ao aborto na França.
**Respiro 3**
No dia 18 de setembro, Laura Lima apresenta Dopada (1997) na Estação Carioca do MetrôRio, a partir das 16h. A obra, da série Homem = Carne / Mulher = Carne, tem uma mulher dormindo profundamente, envolta em um traje de crochê. O trabalho transforma seu corpo em uma escultura viva, suspensa entre o cuidado e a vulnerabilidade. Há décadas, Laura Lima desenvolve uma prática que atravessa a escultura e o corpo, com obras em Inhotim, no MAM-SP e em coleções internacionais.
**Respiro 4**
Em 23 de setembro, o Capacete, na Glória, recebe o lançamento da publicação do festival às 18h, seguido da exibição de Yamo (2011), do diretor libanês Rami Nihawi — filme em que o realizador busca, ao lado da própria mãe, as memórias de uma infância marcada pela guerra civil.
Em 26 de setembro, Dora Selva conduz no Solar dos Abacaxis a oficina “Viva Pelve”, sobre o corpo pélvico, seus movimentos, sua potência e sua história. O encontro começa às 15h e tem duração de 1h.
**Pela cidade**
Ao longo de todo setembro, outdoors, painéis digitais e outras superfícies exteriores espalhadas pela cidade recebem uma intervenção de Franziska Pierwoss, artista alemã radicada em Berlim, em colaboração com Marilanda Lima. A iniciativa parte dos dados da pesquisa Nascer no Brasil — o maior estudo já realizado sobre parto e nascimento no país — e traz informações de interesse público sobre violência obstétrica, práticas de cuidado e direitos na assistência ao parto. O objetivo é tomar o espaço normalmente reservado à publicidade e preenchê-lo com outra coisa: conhecimento público.
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**Sobre o Evidence:** o Evidence é um festival e plataforma internacional sobre estéticas forenses, realizado em 2025 e 2026 pelo Center for Human Rights and the Arts at Bard College com apoio da Fundação Mellon. Além do Rio de Janeiro, acontece em Nova York, Cidade do México e Túnis. Cada cidade tem sua própria equipe curatorial e proposta temática.
**Sobre a TAP:** [www.togetherwetap.art](http://www.togetherwetap.art) A TAP é uma organização sem fins lucrativos comprometida em tornar um outro mundo possível, promovendo mudança social por meio da arte contemporânea. Fundada em Beirute, no Líbano, em 2014, a TAP cria as condições para que comunidades, corpos privados e instituições governamentais reconheçam que artistas contemporâneos podem ser aliados na condução de mudanças sociais duradouras em contextos de precariedade. Nesse processo, a TAP cria ferramentas acessíveis e oportunidades de produção para artistas contemporâneos, tornando sua prática porosa e participativa, dentro e além do campo da arte.
**Eu não serei o ovo que você quebra: sobre nascimento, o corpo e as evidências que ele carrega**
● Festival Evidence: TAP — Temporary Art Platform em parceria com o Instituto Comadre
● Rio de Janeiro, 1o a 26 de setembro de 2026 — Entrada franca em todas as atividades
● Curadoria geral: Amanda Abi Khalil
● Interlocutoras curatoriais: Maìra Marques e Gabriela Davies (Instituto Comadre), Marilanda Lima (parteira urbana), Danielle Makhoul (curadora associada)
**Parceiros:** Alterlabs, Capacete, Casa das Mulheres da Maré, Center for Human Rights and the Arts (CHRA), Cinemateca do MAM, Cometa Impressos, Consulat général de France à Rio de Janeiro, Fisher Center LAB, Goethe-Institut, Instituto Comadre, Instituto da Cultura Árabe (Icarabe), Juntes na Cultura, MAM Rio, Mães de Manguinhos, Redes da Maré, Solar dos Abacaxis.
[www.togetherwetap.art](http://www.togetherwetap.art) | @temporaryartplatform
**Informações para a imprensa:** [together@temporaryartplatform.com](mailto:together@temporaryartplatform.com)




