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Máquinas do Mundo
TIPO DE PROJETO
Exposição - Performance
DATA
26 de maio 2026
LOCAL
Teatro Unimed, São Paulo
REALIZAÇÃO
ATTO.Arte, Instituto Comadre e Mendes Wood DM
Máquinas do Mundo é um projeto que não possui autoria única. Concebido por 22 pessoas, a performance completa dez anos desde sua primeira realização, em 2016. Desde o início, se estrutura como uma construção coletiva, baseada em um reaprendizado das formas de trabalho tradicionais: sem hierarquias fixas e com autoria compartilhada.
A partir desse modo de desenvolvimento, o trabalho exige um tempo mais desacelerado, já que se constrói na troca e na elaboração dos repertórios individuais. Cada participante conduz sua prática dentro da construção da peça: o bailarino propõe sua contribuição através do corpo e do movimento; músicos incorporam temporalidades e tensões pelo som; a artista plástica introduz suas esculturas que ocupam a cena; o elenco organiza a relação entre texto, presença e espaço.
A ausência de uma direção centralizada implica um processo de escuta e decisão coletiva. As ideias circulam, são apropriadas, não pertencem a um único autor, mas a esse grupo que as ativa. A participação dos integrantes não é necessariamente fixa - cada apresentação se reorganiza de acordo com a disponibilidade de cada um, sem que a ausência seja entendida como falha ou dispensabilidade. Nesse processo, as autorias também escorrem para além da performance, as próprias ideias deixam de possuir uma origem identificável, podendo ser incorporadas ou contaminar outros trabalhos e projetos autônomos.
Máquinas do mundo, se constrói a partir de três fontes literárias que são ativadas em cena: o poema A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade; trechos de A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector; e o capítulo “O delírio” de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
Nos três textos, há uma tentativa de aproximação dos segredos da existência, ainda que por caminhos distintos. Em Drummond, a máquina se apresenta como uma engrenagem totalizante, capaz de revelar toda a estrutura do universo mas é recusada por um sujeito já exausto da própria busca por sentido. No texto de Machado de Assis essa abertura também acontece, mas o que se revela não é uma ordem transcendental, e sim o funcionamento do mundo dos homens: suas paixões, violências e repetições históricas, como um sistema que se retroalimenta. Já Lispector elabora sobre uma máquina que não se apresenta como algo externo a ser decifrado, mas como uma experiência que se dá no próprio sujeito, uma travessia perceptiva que desestabiliza o entendimento e aponta para uma verdade que não se resolve no saber. Três máquinas, portanto, três formas de abertura: uma que oferece, uma que expõe e uma que dissolve.
A partir desse encontro, a performance propõe um campo de reações em vez de interpretações literais. Os textos funcionam como disparadores de visualidades. Em alguns momentos, surgem conexões mais evidentes: a areia que pode remeter ao deserto evocado por Clarice, visto através da janela do quartinho no Rio de Janeiro, ou um objeto que lembra um chapéu chinês, ecoando o delírio de Brás Cubas. Essas conexões, no entanto, não se estabilizam como representação: aparecem e se desfazem.
O que se instaura em cena é um estado que se afasta da lógica linear do tempo e da narrativa. Fumaça, poeira, obras, corpos, música e textos coexistem e colaboram em um mesmo plano, deslocando constantemente a atenção de quem assiste. A experiência se aproxima de um campo de transe, desestabilizando formas habituais de perceber um espetáculo e servindo de convite para uma construção própria a partir dos repertórios e escolhas de atenção de cada um.
Todos esses universos, ao serem ativados em conjunto, coexistem como engrenagens distintas, o que justifica o título no plural: Máquinas do Mundo.
textos
Carlos Drummond de Andrade
Clarice Lispector
Machado de Assis
elenco
Luah Guimarãez
Mariano Mattos Martins
Wellington Duarte
direção de arte
Laura Vinci
Marília Teixeira
Flora Belotti
cenotécnico
Cesar Lopes – Quilombo Cenografia
assistente de cenotécnico
Sérgio Lopes
figurino
Diogo Costa
Joana Porto
Rogério Romualdo Pinto
luz
Alessandra Domingues
Hernandes de Oliveira
operação de luz
Hernandes de Oliveira
música e som
Guilherme Calzavara
Jean Rebeldia
José Miguel Wisnik
operação de som
Jean Rebeldia
fotos
Renato Mangolin
vídeos
Yghor Boy
produção executiva
Mariano Mattos Martins
realização
ATTO Arte e Instituto Comadre
curadoria
Gabriela Davies
Maíra Marques
equipamento de luz e som vinheta
Márcio Oliveira
design gráfico
GD Ofício
produção executiva
Rodrigo de Arcângelo
direção de produção
Richard Luiz
produção
Protótipo Filme
Fotos por Flavio Freire














